• Soneto de Fidelidade

    De tudo ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento.

    Quero vivê-lo em cada vão momento
    E em seu louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento

    E assim, quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama

    Eu possa me dizer do amor (que tive):
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure.

                      Vinicius de Moraes

    Apr
    28
    2013
  • All that is gold does not glitter,
    Not all those who wander are lost;
    The old that is strong does not wither,
    Deep roots are not reached by the frost.


    From the ashes a fire shall be woken,
    A light from the shadows shall spring;
    Renewed shall be blade that was broken,
    The crownless again shall be king



                 J. R. R. Tolkien   

    Mar
    11
    2013
  • Receita de Ano Novo

    Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
    cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
    Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
    (mal vivido talvez ou sem sentido) 
    para você ganhar um ano 
    não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
    mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
    novo 
    até no coração das coisas menos percebidas 
    (a começar pelo seu interior) 
    novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
    mas com ele se come, se passeia, 
    se ama, se compreende, se trabalha, 
    você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
    não precisa expedir nem receber mensagens 
    (planta recebe mensagens? 
    passa telegramas?) 
     

    Não precisa 
    fazer lista de boas intenções 
    para arquivá-las na gaveta. 
    Não precisa chorar arrependido 
    pelas besteiras consumidas 
    nem parvamente acreditar 
    que por decreto de esperança 
    a partir de janeiro as coisas mudem 
    e seja tudo claridade, recompensa, 
    justiça entre os homens e as nações, 
    liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
    direitos respeitados, começando 
    pelo direito augusto de viver. 
     

    Para ganhar um Ano Novo 
    que mereça este nome, 
    você, meu caro, tem de merecê-lo, 
    tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
    mas tente, experimente, consciente. 
    É dentro de você que o Ano Novo 
    cochila e espera desde sempre.

                 Carlos Drummond de Andrade   

    Dec
    31
    2012
  • Passagem do ano

    O último dia do ano
    não é o último dia do tempo.
    Outros dias virão
    e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
    Beijarás bocas, rasgarás papéis,
    farás viagens e tantas celebrações
    de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
    que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
    os irreparáveis uivos
    do lobo, na solidão.

    O último dia do tempo
    não é o último dia de tudo.
    Fica sempre uma franja de vida
    onde se sentam dois homens.
    Um homem e seu contrário,
    uma mulher e seu pé,
    um corpo e sua memória,
    um olho e seu brilho,
    uma voz e seu eco,
    e quem sabe até se Deus…

    Recebe com simplicidade este presente do acaso.
    Mereceste viver mais um ano.
    Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
    Teu pai morreu, teu avô também.
    Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras [espreitam a morte,
    mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
    e de copo na mão 
    esperas amanhecer.

    O recurso de se embriagar. 
    O recurso da dança e do grito,
    o recurso da bola colorida,
    o recurso de Kant e da poesia,
    todos eles… e nenhum resolve.

    Surge a manhã de um novo ano.

    As coisas estão limpas, ordenadas.
    O corpo gasto renova-se em espuma.
    Todos os sentidos alerta funcionam.
    A boca está comendo vida.
    A boca está entupida de vida.
    A vida escorre da boca,
    lambuza as mãos, a calçada.
    A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

                 Carlos Drummond de Andrade  

    Dec
    31
    2012
  • Momento num café

    Quando o enterro passou
    Os homens que se achavam no café
    Tiraram o chapéu maquinalmente
    Saudavam o morto distraídos
    Estavam todos voltados para a vida
    Absortos na vida
    Confiantes na vida.


    Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
    Olhando o esquife longamente
    Este sabia que a vida é agitação feroz e sem finalidade
    Que a vida é traição
    E saudava a matéria que passava
    Liberta para sempre da alma extinta.

                 Manuel Bandeira

    Dec
    08
    2012
  • Desencanto

    Eu faço versos como quem chora
    De desalento… de desencanto…
    Fecha o meu livro, se por agora
    Não tens motivo nenhum de pranto.

    Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
    Tristeza esparsa… remorso vão…
    Dói-me nas veias. Amargo e quente,
    Cai, gota a gota, do coração.

    E nestes versos de angústia rouca
    Assim dos lábios a vida corre,
    Deixando um acre sabor na boca.

    – Eu faço versos como quem morre.

                 Manuel Bandeira

    Nov
    28
    2012
  • Passagem da Noite

    É noite. Sinto que é noite
    não porque a sombra descesse
    (bem me importa a face negra)
    mas porque dentro de mim,
    no fundo de mim, o grito
    se calou, fez-se desânimo.
    Sinto que nós somos noite,
    que palpitamos no escuro
    e em noite nos dissolvemos.
    Sinto que é noite no vento,
    noite nas águas, na pedra.
    E que adianta uma lâmpada?
    E que adianta uma voz?
    É noite no meu amigo.
    É noite no submarino.
    É noite na roça grande.
    É noite, não é morte, é noite
    de sono espesso e sem praia.
    Não é dor, nem paz, é noite,
    é perfeitamente a noite.

    Mas salve, olhar de alegria!
    E salve, dia que surge!
    Os corpos saltam do sono,
    o mundo se recompõe.
    Que gozo na bicicleta!
    Existir: seja como for.
    A fraterna entrega do pão.

    Amar: mesmo nas canções.
    De novo andar: as distâncias,
    as cores, posse das ruas.
    Tudo que à noite perdemos
    se nos confia outra vez.
    Obrigado, coisas fiéis!
    Saber que ainda há florestas,
    sinos, palavras; que a terra
    prossegue seu giro, e o tempo
    não murchou; não nos diluímos.
    Chupar o gosto do dia!
    Clara manhã, obrigado,
    o essencial é viver!

                 Carlos Drummond de Andrade 

    Nov
    18
    2012
  • O Boi

    Ó solidão do boi no campo,
    ó solidão do homem na rua!
    Entre carros, trens, telefones,
    entre gritos, o ermo profundo.

    Ó solidão do boi no campo,
    ó milhões sofrendo sem praga!
    Se há noite ou sol, é indiferente,
    a escuridão rompe com o dia.

    Ó solidão do boi no campo,
    homens torcendo-se calados!
    A cidade é inexplicável
    e as casas não têm sentido algum.

    Ó solidão do boi no campo!
    O navio-fantasma passa
    em silêncio na rua cheia.
    Se uma tempestade de amor caísse!
    As mãos unidas, a vida salva…
    Mas o tempo é firme. O boi é só.
    No campo imenso a torre de petróleo.

                 Carlos Drummond de Andrade 

    Nov
    16
    2012
  • O Chamado

    Na rua escura o velho poeta 
    (lume de minha mocidade) 
    já não criava, simples criatura 
    exposta aos ventos da cidade.

    Ao vê-lo curvo e desgarrado 
    na caótica noite urbana,
    o que senti, não alegria,
    era, talvez, carência humana.

    E pergunto ao poeta, pergunto-lhe 
    (numa esperança que não digo) 
    para onde vai — a que angra serena, 
    a que Pasárgada, a que abrigo?

    A palavra oscila no espaço
    um momento. Eis que, sibilino, 
    entre as aparências sem rumo, 
    responde o poeta: Ao meu destino.

    E foi-se para onde a intuição,
    o amor, o risco desejado
    o chamavam, sem que ninguém 
    pressentisse, em torno, o Chamado.

                 Carlos Drummond de Andrade

    Oct
    31
    2012
  • Os Ombros Suportam o Mundo

    Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
    Tempo de absoluta depuração.
    Tempo em que não se diz mais: meu amor.
    Porque o amor resultou inútil.
    E os olhos não choram. 
    E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
    E o coração está seco.

    Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
    Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
    mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
    És todo certeza, já não sabes sofrer.
    E nada esperas de teus amigos.

    Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
    Teu ombros suportam o mundo
    e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
    As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
    provam apenas que a vida prossegue
    e nem todos se libertaram ainda.
    Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
    prefeririam (os delicados) morrer.
    Chegou um tempo em que não adianta morrer.
    Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
    A vida apenas, sem mistificação.

                 Carlos Drummond de Andrade

    Aug
    06
    2012
  • Fraga e sombra

    A sombra azul da tarde nos confrange
    Baixa, severa, a luz crepuscular.
    Um sino toca, e não saber quem tange
    é como se este som nascesse do ar.

    Música breve, noite longa. O alfanje
    que sono e sonho ceifa devagar
    mal se desenha, fino, ante a falange
    das nuvens esquecidas de passar.

    Os dois apenas, entre céu e terra,
    sentimos o espetáculo do mundo,
    feito de mar ausente e abstrata serra.

    E calcamos em nós, sob o profundo
    instinto de existir, outra mais pura
    vontade de anular a criatura.

                 Carlos Drummond de Andrade

    Jul
    18
    2012
  • Perde o gato

    Um jornal é lido por muita gente, em muitos lugares; o que ele diz precisa interessar, senão a todos, pelo menos a um certo número de pessoas. Mas o que me brota espontaneamente da máquina, hoje, não interessa a ninguém, salvo a mim mesmo. O leitor, portanto, faça o obséquio de mudar de coluna. Trata-se de um gato.

    Não é a primeira vez que o tomo para objeto de escrita. Há tempos, contei de Inácio e de sua convivência. Inácio estava na graça do crescimento, e suas atitudes faziam descobrir um encanto novo no encanto imemorial dos gatos. Mas Inácio desapareceu — e sua falta é mais importante para mim, do que as reformas do ministério.

    Gatos somem no Rio de Janeiro. Dizia-se que o fenônemo se relacionava com a indústria doméstica das cuícas, localizada nos morros. Agora ouço dizer que se relaciona com a vida cara e a escassez de alimentos. À falta de uma fatia de vitela, há indivíduos que se consolam comendo carne de gato, caça tão esquiva quanto a outra.

    O fato sociolóligo ou econômico me escapa. Não é a sorte geral dos gatos que me preocupa. Concentro-me em Inácio, em seu destino não sabido.

    Eram duas da madrugada quando o pintor Reis Júnior, que passeia a essa hora com o seu cachimbo e o seu cão, me bateu à porta, noticioso. Em suas andanças, vira um gato cor de ouro como Inácio — cor incomum em gatos comuns — e se dispunha a ajudar-me na captura. Lá fomos sob o vento da praia, em seu encalço. E no lugar indicado, pequeno jardim fronteiro a um edifício, estava o gato. A luz não dava para identificá-lo, e ele se recusou à intimidade. Chamados afetuosos não o comoveram; tentativas de aproximação se frustaram. Ele fugia sempre, para voltar se nos via distantes. Amava.

    Seria iníquo apartá-lo do alvo de sua obstinada contemplação, a poucos metros. Desistimos. Se for Inácio, pensei, dentro de um ou dois dias estará de volta. Não voltou.

    Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual.

    Depois que sumiu Inácio, esses pedaços da casa se desvalorizaram. Falta-lhes a nota grave e macia de Inácio. É extraordinário como o gato “funciona” em uma casa: em silêncio, indiferente, mas adesivo e cheio de personalidade. Se se agravar a mediocridade destas crônicas, os senhores estão avisados: é falta de Inácio. Se tinham alguma coisa aproveitável era a presença de Inácio a meu lado, sua crítica muda, através dos olhos de topázio que longamente me fitavam, aprovando algum trecho feliz, ou através do sono profundo, que antecipava a reação provável dos leitores.

    Poderia botar anúncio no jornal. Para quê? Ninguém está pensando em achar gatos. Se Inácio estiver vivo e não seqüestrado, voltará sem explicações. É próprio do gato sair sem pedir licança, voltar sem dar satisfação. Se o roubaram, é homenagem a seu charme pessoal, misto de circunspeção e leveza; tratem-no bem, nesse caso, para justificar o roubo, e ainda porque maltratar animais é uma forma de desonestidade. Finalmente, se tiver de voltar, gostaria que o fizesse por conta própria, com suas patas; com a altivez, a serenidade e a elegância dos gatos.

                 Carlos Drummond de Andrade

    May
    28
    2012
  • Convite Triste

    Meu amigo, vamos sofrer, 
    vamos beber, vamos ler jornal, 
    vamos dizer que a vida é ruim, 
    meu amigo, vamos sofrer. 

    Vamos fazer um poema 
    ou qualquer outra besteira. 
    Fitar por exemplo uma estrela 
    por muito tempo, muito tempo 
    e dar um suspiro fundo 
    ou qualquer outra besteira. 

    Vamos beber uísque, vamos 
    beber cerveja preta e barata, 
    beber, gritar e morrer, 
    ou, quem sabe? beber apenas. 

    Vamos xingar a mulher, 
    que está envenenando a vida 
    com seus olhos e suas mãos 
    e o corpo que tem dois seios 
    e tem um embigo também. 
    Meu amigo, vamos xingar 
    o corpo e tudo que é dele 
    e que nunca será alma. 

    Meu amigo, vamos cantar, 
    vamos chorar de mansinho 
    e ouvir muita vitrola, 
    depois embriagados vamos 
    beber mais outros sequestros 
    (o olhar obsceno e a mão idiota) 
    depois vomitar e cair 
    e dormir. 

                 Carlos Drummond de Andrade

    May
    12
    2012
  • Poema do beco

    Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
    — O que eu vejo é o beco.

                 Manuel Bandeira

    Feb
    25
    2012
  • Organiza o Natal

    Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

    Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon - sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagui ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

    Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

    A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

    A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

    Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

    O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

    Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

    A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

    O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

    E será Natal para sempre.

    Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.

                 Carlos Drummond de Andrade

    Dec
    24
    2011
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Essas Coisas

Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue...
Entretanto, luto.
EXTRAS